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1826–1864

A MINHA RESOLUÇÃO

Laurindo José da Silva Rabelo

O que fazes, ó minh’alma! Coração, por que te agitas? Coração, por que palpitas? Por que palpitas em vão?

Se aquele que tanto adoras Te despreza, como ingrato, Coração, sê mais sensato, Busca outro coração!

Corre o ribeiro suave Pela terra brandamente, Se o plano condescendente Dele se deixa regar;

Mas, se encontra algum tropeço Que o leve curso lhe prive, Busca logo outro declive, Vai correr noutro lugar.

Segue o exemplo das águas, Coração, por que te agitas? Coração, por que palpitas? Por que palpitas em vão?

Se aquele que tanto adoras Te despreza, como ingrato, Coração, sê mais sensato, Busca outro coração!

Nasce a planta, a planta cresce, Vai contente vegetando, Só por onde vai achando Terra própria a seu viver;

Mas, se acaso a terra estéril Às raízes lhe é veneno, Ela vai noutro terreno As raízes esconder.

Segue o exemplo da planta, Coração, por que te agitas? Coração, por que palpitas? Por que palpitas em vão?

Se aquele que tanto adoras Te despreza, como ingrato, Coração, sê mais sensato, Busca outro coração!

Saiba a ingrata que punir Também sei tamanho agravo: Se me trata como escravo, Mostrarei que sou senhor;

Como as águas, como a planta, Fugirei dessa homicida; Quero dar a um’alma fida Minha vida e meu amor.

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