Lembranças do nosso amor
Da morte o sopro gelado,
Não me apagando a existência,
No coração com veemência
Sinto seu passado apressado.
Ai quando, bem adorado,
Minha alma daqui se for,
Disfarça teu dissabor,
Resiste à força veemente,
Mas nunca risques da mente
Lembranças do nosso amor.
Nada tenho que deixar-te
De fortuna nem de glória,
Nada me aponta a memória
Que possa morto legar-te;
Se nada deve ficar-te
Mais que saudades e dor,
Bálsamo consolador
À dolorosa ferida
Hão de ser-te nesta vida
Lembranças do nosso amor.
Lembrar um bem adorado
Na dor da saudade ausente,
É mesmo sê-lo presente,
Inda que seja passado.
Ser por ti sempre lembrado,
Como em vida morto for,
Por influxo encantador
Deste mistério profundo,
Hão de ser-te nesse mundo
Lembranças do nosso amor.