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1826–1864

À MINHA MULHER

Laurindo José da Silva Rabelo

Lembranças do nosso amor Da morte o sopro gelado, Não me apagando a existência, No coração com veemência

Sinto seu passado apressado. Ai quando, bem adorado, Minha alma daqui se for, Disfarça teu dissabor,

Resiste à força veemente, Mas nunca risques da mente Lembranças do nosso amor. Nada tenho que deixar-te

De fortuna nem de glória, Nada me aponta a memória Que possa morto legar-te; Se nada deve ficar-te

Mais que saudades e dor, Bálsamo consolador À dolorosa ferida Hão de ser-te nesta vida

Lembranças do nosso amor. Lembrar um bem adorado Na dor da saudade ausente, É mesmo sê-lo presente,

Inda que seja passado. Ser por ti sempre lembrado, Como em vida morto for, Por influxo encantador

Deste mistério profundo, Hão de ser-te nesse mundo Lembranças do nosso amor.

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