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1826–1864

À MESMA SENHORA

Laurindo José da Silva Rabelo

Alcíone, perdido o esposo amado, Ao céu o esposo sem cessar pedia; Porém as ternas preces surdo ouvia O céu, de seus amores descuidado.

Em vão o pranto seu d’alma arrancado Tenta a pedra minar da campa fria; A morte de seu pranto escarnecia, De seu cruel penar se ria o fado.

Mas ah! — não fora assim, se a voz tivera Tão bela, tão gentil, tão doce e clara, Daquela que hoje neste palco impera. Se assim cantasse, o túmulo abalara

Do bem querido; e, branda a morte fera, Vivo o extinto esposo lhe entregara.

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