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1865–1927

Voltando à terra

Juvêncio de Araújo Figueredo

Dize, por que razão me vens bater à porta, Altas horas da noite, assim, de olhar tão triste, Que não sei como, ao vê-lo, a minha alma o suporta, Se há muito tempo já da terra te sumiste?

E o que desejas tu, se há muito tempo és morta, Se, com certeza, ao lindo e largo céu subiste Como uma águia de luz, que as amplidões recorta, E sobe, e por lá fica, e à paz do céu assiste?

E ela, os olhos volvendo, as mãos alevantando, E abrindo a boca em flor e a cabeça meneando, Pôs-se, então, a falar da nossa mocidade... Disse que à terra vinha, unicamente, apenas,

Para as suas unir as minhas grandes penas, No consolo bendito e humano da saudade.

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