Dize, por que razão me vens bater à porta,
Altas horas da noite, assim, de olhar tão triste,
Que não sei como, ao vê-lo, a minha alma o suporta,
Se há muito tempo já da terra te sumiste?
E o que desejas tu, se há muito tempo és morta,
Se, com certeza, ao lindo e largo céu subiste
Como uma águia de luz, que as amplidões recorta,
E sobe, e por lá fica, e à paz do céu assiste?
E ela, os olhos volvendo, as mãos alevantando,
E abrindo a boca em flor e a cabeça meneando,
Pôs-se, então, a falar da nossa mocidade...
Disse que à terra vinha, unicamente, apenas,
Para as suas unir as minhas grandes penas,
No consolo bendito e humano da saudade.