Na terra ficará o meu corpo, dormindo
Até que se desmanche ou se transforme em lama...
Enquanto isso, no Azul, campos irão se abrindo,
Na eterna floração que de prata os recama.
A cada hora chegada irei mais subindo,
Orvalhado da luz que dos céus se derrama,
Para me abençoar com perfumes, e ungindo
Minhas mãos, e meus pés, e a minha fronte em chama.
É que de Deus será a maior recompensa
Aos meus gritos de mágoa, e à minha dor imensa!
A tudo quanto tenha a minha alma sofrido
Na profunda mudez dos profundos sigilos,
Dos sempre, sem cessar, com seus olhos tranquilos,
Firmes de haver na crença o seu viver cumprido.