Ó mãos que recordais a branca espuma
Das ondas, quando as ondas vão bater
De encontro à praia em curva, uma a uma,
Desde a manhã dourada ao entardecer.
Ó lindas mãos que recordais, em suma,
Duas rocas que vivem a estender
Seguidas os fios da ilusão, se alguma
Cousa fatal vos vir acontecer?
Se, por exemplo: — cedo, muito cedo,
Num doloroso e trágico segredo,
Tiverdes de vos ver junto dos mochos?!
Tiverdes de vos ver em cruz no peito,
Que deixou de pulsar, na dor desfeito
Ó lindas mãos, sereis uns lírios roxos!