Um dia amanheceste na opulência,
Tu que vivias pobre como Jó;
Mas não tendo de Jó toda a inocência,
Tu te vestiste de doirado pó.
Mantos tiveste, de uma resplandecência
De sóis; e foste, neste mundo, só
No orgulho, na vaidade, na inclemência,
Sem possuíres um ceitil de dó.
Conquistaste, portanto, o que no mundo
Julgavas ser todo um trigal fecundo;
Mas hoje, que morreste, bem que dista,
Dos desejos que tinhas, a ventura...
Hoje, enganada vives, na loucura
Dos desesperos de unir vã conquista.