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1865–1927

Uma graça

Juvêncio de Araújo Figueredo

O teu feliz destino! Alguém te diz ao ouvido, Quando cismas, à noite, e procuras saber Toda a origem do teu destino, percorrido Até esta hora, desde o seu alvorecer...

Alguém, baixo, te diz: — Ficarás convencido Que o teu destino foi, e continuará a ser O de um alveonador robusto e destemido, As misérias vencendo, em pleno entardecer...

E para que não possa o teu peito vergar Ao cruel desalento; e a tua alma chorar, Nem perderes o olhar na abóbada estrelada, Uma graça terás, num divino clarão,

De encontrares a água, e encontrares o pão, Nessa eterna e formosa e sacrossanta estrada.

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