Suzana recordava uma garça alvadia,
Das que vêm, ao sol posto, espelhar-se no mar,
E ficam tristemente a cismar... a cismar,
Dentro da mais pesada e atroz melancolia.
Através da vidraça eu quantas vezes via
A cera do seu rosto! E o seu saudoso olhar
Tinha os velados tons do marfim de luar,
Quando num rio a lua adormece, doentia...
E as suas brancas mãos, tão brancas, mãos de neve,
E o veludo do seu cabelo ondeante e leve.
E aquela boca em febre, ardendo como o estio?
Isso tudo me vem à ideia, lentamente,
Se contemplo uma garça, assim, na praia albente,
Ou revejo luar sobre as águas dum rio...