Ter crença é procurar, na noite escura
Do mundo, a luz mais clara de uma estrela.
Entretanto, nossa alma, para tê-la,
Não necessita da menor tortura.
Basta, nas ruas tristes da amargura,
Procurá-la, e senti-la, e compreendê-la
E, aberta em flores, na consciência tê-la,
Banhada de carinhos e doçura...
Ter crença é ter o coração vestido
De dalmáticas de ouro o mais subido,
Como se fosse, o coração, na vida,
Um Santo Estevão que, ajoelhado, orasse
Uma prece que nunca se acabasse,
No silêncio emotivo de uma ermida.