Toda a tristeza amarga e misteriosa
Que impenitentemente te lacera,
Talvez viesse da plaga tenebrosa
De um mundo sem rosais de primavera.
Talvez de um mundo assim, viesse, assombrosa
Essa tristeza que em teu peito impera,
E como um polvo másculo o devora,
Numa tortura por demais austera.
Talvez de um antro frio ela viesse,
E entre brumais tantálicos trouxesse
O requinte das formidáveis ânsias
Nas quais, no entanto, tu te purificas,
Para voltares às paragens ricas,
A paz espiritualizada das distâncias.