Fria noite de agosto, envolta no sudário
Melancólico de uma enregelante lua.
E porque não te vais deitar, se extenua
Teu peito, e meia noite ecoa o campanário!
Neste rancho de palha, a um canto, solitário,
Nossa Senhora desça, a sorrir, à alma tua.
Dorme, velhinha, dorme... O silêncio flutua...
Não confias, então, nas contas do rosário?
O teu filho há de vir logo que a pescaria
Acabe, no mar grosso... Abre o peito à alegria;
Faze do coração um abrigo tranquilo...
Ora, que ideia a tua! Então perdeste o sono
Simplesmente porque te julgas no abandono,
E ouviste, no telhado, o estrídulo de um grilo?