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1865–1927

Superstição

Juvêncio de Araújo Figueredo

Fria noite de agosto, envolta no sudário Melancólico de uma enregelante lua. E porque não te vais deitar, se extenua Teu peito, e meia noite ecoa o campanário!

Neste rancho de palha, a um canto, solitário, Nossa Senhora desça, a sorrir, à alma tua. Dorme, velhinha, dorme... O silêncio flutua... Não confias, então, nas contas do rosário?

O teu filho há de vir logo que a pescaria Acabe, no mar grosso... Abre o peito à alegria; Faze do coração um abrigo tranquilo... Ora, que ideia a tua! Então perdeste o sono

Simplesmente porque te julgas no abandono, E ouviste, no telhado, o estrídulo de um grilo?

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Superstição · Juvêncio de Araújo Figueredo · Poetry Cove