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1865–1927

Suicida

Juvêncio de Araújo Figueredo

De bordo do lanchão pôs-se a fitar o espaço, Que tão cheio de luz se achava! Quantos astros, Quantos mundos rolando, enlaçados em nastros, Da eterna vibração, no infinito compasso!

Quis estender ao céu o seu pequeno braço, Mas recuou porque, muito distante, os rastros Desses mundos de luz lhe dariam cansaços; E eles não são, por certo, os santelmos nos mastros...

— Quem pudesse morrer! (Disse ele) e, nesse instante, Olha as águas do mar e vê um céu faiscante; E dentro desse céu, a gôndola da lua... Arroja-se de chofre, então, ao mar e morre.

Mas, por toda a enseada, uma lenda ainda corre: Dizem que a alma do Zé nas ânsias continua...

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