De bordo do lanchão pôs-se a fitar o espaço,
Que tão cheio de luz se achava! Quantos astros,
Quantos mundos rolando, enlaçados em nastros,
Da eterna vibração, no infinito compasso!
Quis estender ao céu o seu pequeno braço,
Mas recuou porque, muito distante, os rastros
Desses mundos de luz lhe dariam cansaços;
E eles não são, por certo, os santelmos nos mastros...
— Quem pudesse morrer! (Disse ele) e, nesse instante,
Olha as águas do mar e vê um céu faiscante;
E dentro desse céu, a gôndola da lua...
Arroja-se de chofre, então, ao mar e morre.
Mas, por toda a enseada, uma lenda ainda corre:
Dizem que a alma do Zé nas ânsias continua...