Sombras da noite, leves como as aves;
Aconchegos e frêmitos de amores,
Que em nossas asas de esquisitas cores
Subam para o Alto os meus anseios graves.
Sombras flébeis, tenuíssimas, suaves.
Emigras de um chão de negras flores.
Levai-me as mágoas e as secretas dores
Pelas mais altas e silenciosas naves...
Ascendendo às alturas das montanhas,
Que os meus anseios de ferais entranhas.
Que todo esse clamor de ansiedade,
Erre junto de nós, sombras da noite,
E numa estrela rútila se acoite,
Em busca de repouso e de piedade.