Para que a vida seja um grande mar de rosas
Faz-se mister que a gente, em êxtase, se inflame
No que existe de luz nas crenças vigorosas,
E ame o próprio inimigo, e as próprias pedras ame.
A vida sem o amor vaga nas tenebrosas,
Sinistras ilusões. E se há céu que derrame
Por sobre nós a luz das crenças vigorosas,
A vida sem o amor é um mar que em trevas brame.
É o inferno tenebroso a nossos pés se abrindo;
E a nossos pés, medonho e em blasfêmias rugindo,
A cada hora chegada, ou a cada momento.
A vida sem o amor é um eterno mar morto,
Sem flâmulas, sem paz, sem faróis, e sem porto;
Mar por onde nem passa a ânsia alada do vento!