Morta que está, no seu caixão de pano preto,
Vejo-lhe um lenço ao queixo; as mãos hirtas, cruzadas
Por sobre a rigidez desolante do peito,
Onde alguém desfolhara umas rosas nevadas.
Adormeceu, enfim, nesse funéreo leito,
Para não despertar! As pupilas, fechadas,
De azuis que eram, lhe são, agora, de outro jeito:
Muito tristes, assim como as monjas veladas...
Mas, parece que ri! Vejo-a rir! Vejo-a rindo!
E, então, não há de rir quem se encontra dormindo
Entre rosas, de pés voltados para a rua.
Prestes a viajar para o descanso eterno,
Fechadas, de uma vez, as pupilas ao inferno
Da fome cruel, da sede atroz, da carne nua?