O oceano é um templo. Reza o sino da capela,
Rolando a sua voz, entre as serras de além...
E a lua de cristal, qual turíbulo, vem;
Surge para incensar de frente o Cambirela.
E a noite desce, numa encantadora umbela
Salpicada de prata. A noite é de Belém,
Em que não houve sobre a terra imensa quem
Não rezasse ao fitar a misteriosa Estrela...
Eu das montanhas faço os altares sagrados
Aos quais sobem de vez os frementes cuidados
Da minha alma emotiva, onde as ânsias se espalham...
E de onde estou rezando, humilde como um monge,
Ouço rezar o vento, e o mar, que reza longe,
Nesta hora em que na praia as ondas se ajoelham...