Passo as noites em claro, hora por hora,
Pensando em ti, pensando em mim; pensando
Na nossa vida atroz, que não melhora,
Chore eu, e chores tu, aos céus clamando.
Continuamente, num tristonho bando,
As nossas esperanças vão-se embora,
Como as aves no inverno horrível, quando
Nem rosas há pelos vergéis da aurora
Tudo um montão de trágicas ruínas
Em derredor de nós, como colinas
Que se houvessem ruído ao som dos ventos...
Mas, para que um grão de areia possa
Ficar, reza ajoelhada, reza à Nossa
Senhora Amparadora dos Tormentos.