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1865–1927

Resignado

Juvêncio de Araújo Figueredo

Junho. Que frio atroz! Que noite de tormento Para quem da velhice os estragos possui! Que frio atroz, lá fora! E, às lufadas do vento, Para maior frieza, o gelo se dilui...

E me ocorre, nesta hora, à luz do pensamento, Um casebre, na praia, onde uma vez eu fui. Nele mora o Joaquim, um corpo sem alento, Que nem leito, nem pão, nem fresca água possui.

Mas, nunca se rebela o Joaquim, nas noites Em que os ventos bramindo e as chuvas são açoites De encontro ao seu telhado e aos furos da parede. O Joaquim é bom, humilde e resignado...

E vemo-lo, ao romper das manhãs, levantado, Tomando sol na praia e consertando a rede.

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