Junho. Que frio atroz! Que noite de tormento
Para quem da velhice os estragos possui!
Que frio atroz, lá fora! E, às lufadas do vento,
Para maior frieza, o gelo se dilui...
E me ocorre, nesta hora, à luz do pensamento,
Um casebre, na praia, onde uma vez eu fui.
Nele mora o Joaquim, um corpo sem alento,
Que nem leito, nem pão, nem fresca água possui.
Mas, nunca se rebela o Joaquim, nas noites
Em que os ventos bramindo e as chuvas são açoites
De encontro ao seu telhado e aos furos da parede.
O Joaquim é bom, humilde e resignado...
E vemo-lo, ao romper das manhãs, levantado,
Tomando sol na praia e consertando a rede.