Recordar é viver... E a mim se me parece
Ver, através do tempo, esse rancho de pinho
Onde, à sesta, eu dormia, o peito em desalinho.
Depois de erguer ao céu os olhos e uma prece.
Nada me despertava, embora, rude, houvesse
O estridente clamor do mar em rodamoinho.
Nem ouvia passar as águas do moinho,
Pois eu dormia bem, como quem tudo esquece.
Eu dormia em teu colo, amor querido! Quantas,
Quantas recordações! E à noite, às grandes mantas
Das tainhas corria, agilmente a batê-las...
E ninguém mais do que eu agilmente as batia,
Porque, em tudo, sempre, a minha alma te via,
Sob o branco silêncio eterno das estrelas!