Recordando o passado, eu creio que revejo
A nossa moradia, à beira de um riacho
Que ainda corre sereno e límpido por baixo
De ramadas em flor, das brisas ao bafejo.
Abro as portas ao mar e ao belo e benfazejo
Campo cheio de sol... Pego depois o sacho...
E, à noite, vou à pesca, à luz tíbia de um facho;
E, no engenho, no morro, às vezes furto um beijo.
Recordando, ainda sinto em teu lindo pescoço
O saudoso frescor das ondas do mar-grosso;
E em teus seios em flor o perfume dos lírios...
E parece que escuto os delicados trenos
Da tua boca, e vejo os teus olhos serenos
Concentrados nos meus tristíssimos martírios.