Na hora extrema da vida há sempre um raio
Que, embora o homem não perceba, desce
Como se sobre a sua fronte houvesse,
De luz sublime um verdadeiro espraio...
É a piedade, no primeiro ensaio,
Na ventura amorosa de uma prece
Que não vacila, que não tem desmaio;
Que vive eterna, que jamais fenece.
E, sendo a piedade, é a luz mais bela,
Como diante de uma caravela
Um farol lhe mostrando um rumo ao norte.
Esse raio bendito é sempre aquele
Que, deste rumo a um outro nos impele,
Nos braços frios mas leais da morte.