A minha vida é urdida de ansiedade,
E de desejos incompreensíveis!
Ora, na minha vida, há suavidade;
Ora revoltas trágicas, horríveis!
Ora, na minha vida, a claridade
Do céu abre rosais imarcescíveis;
E ora, da dor sangrenta, a crueldade
Vibra fortes lançaços invisíveis!
Mas um gozo supremo a alma me enlaça,
Numa força de abrir, pleno de graça,
O coração aos corações tristonhos...
Abundante quermesse espalharia,
Espalharia o pão de cada dia,
Sob o pálio bendito dos meus sonhos.