Quem morre solta, da misteriosa argila,
Do peito frio, um pássaro proscrito,
Que as asas abre, em rumo do infinito,
Às regiões da eterna luz tranquila.
Quem morre dessa forma, não vacila,
Embora a carne ruja, e solte um grito,
Pois que observa um largo céu bendito,
No pranto que lhe corre da pupila.
De quem amou com largo entendimento;
De quem sofreu aspérrimo tormento;
De quem orou com fé nos astros belos,
O delicado espírito, ascendendo,
Vai, pouco a pouco, se compreendendo,
Distante da Babel dos Pesadelos.