Quando eu, num dia, pelo Espaço a fora,
Por esse Espaço intérmino voar,
Em que florida e luminosa aurora
Terei a ave dos sonhos a cantar?
E este meu coração, que geme e chora,
Que tem contas de pranto a desfiar
A cada hora que chega, ou a cada hora
Que passa, em que caixão verei tombar?
Terá minh’alma a paz sempre querida
Pelos que passam nesta negra vida;
Passam buscando as límpidas distâncias?
E este meu pobre coração de limo
A que outra alma dará, mais tarde, arrimo?
Ou continuará nas mesmas ânsias?