Ah! quantos corações como os rochedos
São assim tão frios e tão duros!
Todos ao chão por séculos seguros,
Penetrados de aspérrimos segredos!
Esses ficam nos longes dos degredos;
Abandonados nos painéis escuros,
Como espectros da treva, dos monturos,
Funambulescos, taciturnos, tredos...
Ah! quantos corações, de abismo em abismo,
Passam por esse eterno transformismo;
E, mudos, mudos, sepultados ficam...
Mas um dia virá, talvez, quem sabe?
Em que a mudez dos corações se acabe,
Pois todos sob a dor se purificam.