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1865–1927

Procissão das almas

Juvêncio de Araújo Figueredo

Meia noite. Silêncio. O relógio da igreja. Martela devagar, no triste campanário, E a sua voz parece a de uma ave que adeja E sobe, misteriosa, ao espaço solitário.

Silêncio de pavor. Nem mesmo o ar arqueja; Nem fulgura, no céu, o branco relicário De um astro! Nem no campo o alvo lírio branqueja! Nem se enrolam, talvez, as contas de um rosário!

Tudo dorme, na noite, em trágico mistério... Menos na solidão daquele cemitério, Os ciprestes que ao céu erguem as verdes palmas. E ossadas, ao luar, rolam de lado a lado;

E em cada cova ruge o cantochão magoado Da eterna procissão tradicional das almas.

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