Meia noite. Silêncio. O relógio da igreja.
Martela devagar, no triste campanário,
E a sua voz parece a de uma ave que adeja
E sobe, misteriosa, ao espaço solitário.
Silêncio de pavor. Nem mesmo o ar arqueja;
Nem fulgura, no céu, o branco relicário
De um astro! Nem no campo o alvo lírio branqueja!
Nem se enrolam, talvez, as contas de um rosário!
Tudo dorme, na noite, em trágico mistério...
Menos na solidão daquele cemitério,
Os ciprestes que ao céu erguem as verdes palmas.
E ossadas, ao luar, rolam de lado a lado;
E em cada cova ruge o cantochão magoado
Da eterna procissão tradicional das almas.