Entram pela janela uma luz outoniça
E o perfume da relva orvalhada. Na sala,
Junto à porta, chilreia uma alegre carriça,
Cuja asa aberta, em leque, em plena luz estala.
A saúde no olhar da Anselma é luz mortiça,
E as suas lindas mãos já têm a cor da opala...
Mas, de formosa que é, no passeio ou na missa,
Não há moça com quem a gente compará-la.
Nesta hora em que ela está sentada ao pé da porta,
E uns xadrezes de crivo ao bastidor recorta,
Para o seu enxoval, mal percebe, no entanto,
O que Raquel nos diz, quando as cartas espalha:
“É mais uma a coser sua própria mortalha.
Para cedo dormir na paz do campo santo”.