Skip to content
1865–1927

Predição

Juvêncio de Araújo Figueredo

Entram pela janela uma luz outoniça E o perfume da relva orvalhada. Na sala, Junto à porta, chilreia uma alegre carriça, Cuja asa aberta, em leque, em plena luz estala.

A saúde no olhar da Anselma é luz mortiça, E as suas lindas mãos já têm a cor da opala... Mas, de formosa que é, no passeio ou na missa, Não há moça com quem a gente compará-la.

Nesta hora em que ela está sentada ao pé da porta, E uns xadrezes de crivo ao bastidor recorta, Para o seu enxoval, mal percebe, no entanto, O que Raquel nos diz, quando as cartas espalha:

“É mais uma a coser sua própria mortalha. Para cedo dormir na paz do campo santo”.

Cookies on Poetry Cove

We use cookies to remember your language preference and — only with your consent — to learn how Poetry Cove is used. You can change your mind any time.