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1865–1927

Pranto amargo

Juvêncio de Araújo Figueredo

Mulher, há quanto tempo humildemente lavas Nas pedras dessa fonte! És uma pobre viúva, E, para teres pão, lavas ao sol e à chuva, Tu que o lótus do amor no peito acariciavas.

Moça, pelas manhãs de sol, como cantavas! Eras linda e feliz. Frescas doçuras de uva Possuías na boca. E o teu corpo, da luva Possuía a maciez... E quando me abraçavas?

Mas, foi-se a tua branca e alegre mocidade No torvelinho atroz da negra tempestade De uns ciúmes de amor, nos profundos abrolhos. Velha, vives, agora, a lutar nessa fonte

Que não parece vir das entranhas do monte, E sim do pranto amargo e triste dos teus olhos.

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Pranto amargo · Juvêncio de Araújo Figueredo · Poetry Cove