Mulher, há quanto tempo humildemente lavas
Nas pedras dessa fonte! És uma pobre viúva,
E, para teres pão, lavas ao sol e à chuva,
Tu que o lótus do amor no peito acariciavas.
Moça, pelas manhãs de sol, como cantavas!
Eras linda e feliz. Frescas doçuras de uva
Possuías na boca. E o teu corpo, da luva
Possuía a maciez... E quando me abraçavas?
Mas, foi-se a tua branca e alegre mocidade
No torvelinho atroz da negra tempestade
De uns ciúmes de amor, nos profundos abrolhos.
Velha, vives, agora, a lutar nessa fonte
Que não parece vir das entranhas do monte,
E sim do pranto amargo e triste dos teus olhos.