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1865–1927

Pesadelo

Juvêncio de Araújo Figueredo

A madrugada é toda uns recamos de prata, E cada estrela lembra um branco lírio aberto, Que, nas águas do mar tranquilo, se retrata. A lua enche de luz todo o campo deserto.

Pela estrada da Barra, o aroma se desata Dos aguapés em flor. Canta, murmura, perto Da casa de Valésia a água de uma cascata. Bate-me, com violência, o coração desperto.

Chego. Ausculto a parede. Ouço vozes lá dentro. Rodeio então a casa, e, passos bambos, entro Pela porta detrás. E a derrota prossigo, Louco, ciumento, sob a pressão do meu zelo.

Mas, ó graças dos céus! Fugiu-me o pesadelo... Valésia dorme e sonha, amorosa, comigo.

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Pesadelo · Juvêncio de Araújo Figueredo · Poetry Cove