A madrugada é toda uns recamos de prata,
E cada estrela lembra um branco lírio aberto,
Que, nas águas do mar tranquilo, se retrata.
A lua enche de luz todo o campo deserto.
Pela estrada da Barra, o aroma se desata
Dos aguapés em flor. Canta, murmura, perto
Da casa de Valésia a água de uma cascata.
Bate-me, com violência, o coração desperto.
Chego. Ausculto a parede. Ouço vozes lá dentro.
Rodeio então a casa, e, passos bambos, entro
Pela porta detrás. E a derrota prossigo,
Louco, ciumento, sob a pressão do meu zelo.
Mas, ó graças dos céus! Fugiu-me o pesadelo...
Valésia dorme e sonha, amorosa, comigo.