Vou pelo tédio doloroso e amargo
Como quem vai, assim, tristonhamente,
Por um mar sempre largo, sempre largo.
Longe da terra verde e florescente.
Vou pelo tédio doloroso e amargo,
Sem levar na alma um cântico esplendente.
E enterrado num trágico letargo
Sinto o meu coração todo doente.
E não me canso de ir por essas vagas
Que não sei a que plagas, a que plagas
Sobem, revoltas, sob céus tristonhos!
O mar do tédio! o único dos mares
Capaz de amortalhar campos e lares,
E de vencer e amortalhar os sonhos!