Praia amorosa, aquela. E, sob o céu doirado,
De um maio todo em flor, em carícias desfeito,
O Domingos dormia, afoito, sossegado,
Como se a praia fosse o seu macio leito.
Dormia o pescador, de um velho rancho ao lado,
E as suas rijas mãos, cruzadas sobre o peito,
Eram como as de quem, num leve sonho alado,
Reza cheio de fé profunda; satisfeito,
Chegara de arriar muitas braças de rede...
E enquanto a luz do sol não subisse à parede,
No aconchego da praia a dormir ficaria,
Descansando na areia, umas horas, à fresca,
Para voltar de novo ao trabalho da pesca,
Na conquista febril do pão de cada dia.