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1865–1927

Para ter coragem

Juvêncio de Araújo Figueredo

Esgueirado na sombra escura dos pinheiros, O Francisco desceu ao velho dormidouro, Onde deitado estava, a ruminar, um touro De olhares de ametista e altos chifres franqueiros.

Chegou e aos pontapés sobre os quartos traseiros Desse humilde animal, de aveludado couro, Fê-lo erguer-se do chão, num terrível estouro, E no chão esfregou os seus braços mateiros.

Vinha ao touro pedir, dos músculos de guaxo A rigidez, para jamais viver por baixo, Para jamais recuar de façanhas audazes... E, já pela manhã e nas sombras da tarde,

O Francisco, que, até então, era um covarde, Ficou sendo o terror de todos os rapazes.

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Para ter coragem · Juvêncio de Araújo Figueredo · Poetry Cove