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1865–1927

Para perdoar

Juvêncio de Araújo Figueredo

Meu querido e belo amigo Por que não tens outro abrigo? Do mundo onde caminhaste, Ainda não te separaste?

Por que não fechaste os olhos Aos teus trágicos escolhos? Por que não fechaste o ouvido À voz de qualquer gemido?

Por que razão a tua alma Dos tormentos colhe a palma? Tens a cruz dos renegados Por sobre os ombros cansados?

E te coroas de espinhos Por estes ínvios caminhos? E tens os braços e os pulsos Profundamente convulsos?

E sentes a testa exangue Nos gotejas do teu sangue? E vês abrir-se, em destroços, O teu coração de moço?

E vês cravado o teu peito Pelas lanças do despeito? Por que andas pelos cardos, E enfrentas chuvas de dardos?

Por que soluças e choras, Mesmo ao clarão das auroras? Por que lágrimas derramas, Quando no sonho te inflamas?

Por que não dormes, não dormes, Pelas noites desconformes? Por que no chão não te assentas, Pelas noites de tormentas?

Por que não buscas um teto Bom, igual ao teu afeto? Por que não buscas um astro Onde não se anda de rastro?

Por que não sobes e ficas Numa estrela das mais ricas? Por que andas, Cruz e Sousa, No mundo que é fria lousa?

Por que, de noite e de dia, Não vens com a Virgem Maria? — Com Ela é que eu desço à terra Que tantas lamas encerra.

— Desço à terra, em companhia, Da Virgem Santa Maria, — Para encontrar, nas estradas, Os que me deram pedradas,

— E ampará-los nos meus braços, Sem nenhuma prevenção; E levá-los aos espaços Nas asas do meu perdão.

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