Que belo estava o céu, na tarde imaculada
Que o mês de maio abria, entre rútilas franjas!
E todo o laranjal, doirado de laranjas.
E esses carros de bois chiando pela estrada!
Que faina trabalhosa, em plena farinhada,
Na abastança da sebe e das extensas granjas!
E tu, ó minha flor, que tão meiga te arranjas,
Como estavas bonita e toda perfumada!
Nessa tarde não sei que vislumbres de vida
Eu senti ao teu lado, ó Valésia querida,
Principalmente quando as tuas mãos nervosas
Se aninharam, sutis, nas minhas mãos, tremendo,
Durante o tempo em que nos quedamos, relendo
Do livro do passado as páginas saudosas!