Eu bem procuro me esquecer do dia
Em que partiste para outros lares,
Eu que à tua funérea cova fria
Tanto rego de prantos e pesares...
Eu bem procuro me esquecer, Maria,
Mas cada vez que me recordo, os mares
Da mágoa roxa e da melancolia
Levam-me a alma saudosa pelos ares...
E quando os teus queridos irmãozinhos
Perguntam-me por ti, e aos passarinhos
Dizem que foste para os céus levada,
Eu, a beber as lágrimas que escondo,
Nem sei o que, nem como lhes respondo,
Ó minha branca ovelha desgarrada!