Mês de outubro. Essa luz é de fornalha em brasas.
Alucina, estonteia, embriaga, adormece...
Mesmo sob o arvoredo, o telhado das casas,
À sua irradiação, cada vez mais se aquece.
Escondidas embora, as pequeninas asas
Tremem continuamente. O calor entorpece.
E, nas roças, no morro e nas campinas rasas
Triste da seara em flor, triste da verde messe!
E enquanto esse cristal de luz assim fulgura,
O gado desce à praia, a água do mar procura,
Como se ali houvesse o seu melhor abrigo...
E busca ver no sol, que se retrata à tona,
Uma pedra a rolar, igual a da atafona,
Que à noite lhe dará louras palhas de trigo.