Alma triste, através de um nevoeiro denso,
O meu avô paterno olha o horizonte infindo,
E fica a meditar... Leva aos olhos um lenço,
Que nos recorda uma asa alvíssima se abrindo.
É que lembra, por certo, o seu país tão lindo,
Onde uma infância em flor, cheia de aroma intenso,
Ele tanto fruiu, como hoje está fruindo
Dessa recordação todo o fulgor imenso.
Perpassam-lhe, através dos olhares insontes,
As vinhas e os trigais, as campinas e as fontes,
E, à sombra do Mondego, o seu belo casal...
Pudesse ele voar e voaria nesta hora,
Pelo oceano afora, ondas verdes afora,
Por essas ondas que vão ter a Portugal!