Para ter sobre a mesa uma branca toalha
De linho e fresco pão, que é necessário à vida,
Cedo, à hora em que o céu, serenamente, orvalha
O campo, eu começava a dolorosa lida...
Nesta terra ninguém, que, entre espinhos, trabalha,
Sentirá, ao correr uma estrada comprida,
Onde a desolação, tristíssima, se espalha,
O que eu, então, senti na estrada indefinida.
Mas, ó trabalho rude, ao pé das penedias!
Ó calor de abrasar! E vós, chuvas doentias!
E vós, noites de inverno, em céus negros, estranhos!
Não mais éreis senão umas cousas de nada
Para quem tinha toda a alma iluminada
Pela bendita luz de dois olhos castanhos!