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1865–1927

Olhando o passado

Juvêncio de Araújo Figueredo

Olho o passado e como a vida me parece Formosamente azul! Vejo-a em redor de mim Com a mesma pureza. O sol é o mesmo. Desce Sobre a minha cabeça um manto de cetim.

A lua encantadora é flor que não fenece No meu peito infantil. E, ao recordar, assim, Toda a infância feliz, a minh’alma se aquece De um prazer que não sei se um dia terá fim.

Recordo a nossa casa (hoje toda arruinada) De porta aberta para o mar e para a estrada... Mas a recordação que no meu sonho cai, Vem das tardes em que eu rezava a ladainha

Perto de minha mãe, uma humilde velhinha, E sob o firme olhar piedoso de meu pai.

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