Olho o passado e como a vida me parece
Formosamente azul! Vejo-a em redor de mim
Com a mesma pureza. O sol é o mesmo. Desce
Sobre a minha cabeça um manto de cetim.
A lua encantadora é flor que não fenece
No meu peito infantil. E, ao recordar, assim,
Toda a infância feliz, a minh’alma se aquece
De um prazer que não sei se um dia terá fim.
Recordo a nossa casa (hoje toda arruinada)
De porta aberta para o mar e para a estrada...
Mas a recordação que no meu sonho cai,
Vem das tardes em que eu rezava a ladainha
Perto de minha mãe, uma humilde velhinha,
E sob o firme olhar piedoso de meu pai.