Ódio! ódio fatal! Imponderável
Ódio de assaltos de sinistra fera!
De onde vieste, mísero, execrável?
— Talvez dos antros de uma nova esfera.
E quem te trouxe ao mundo, ó miserável
Ódio execrando, cuja voz impera
De tal maneira brusca, incomparável,
Que até sonha as carícias à quimera?
Não desceste de um antro? Não desceste?
Ou tristemente lúgubre te ergueste
Da podridão dos pântanos sombrios?
Do qual brotou o coração do homem,
Para viver nas ânsias que o consomem,
Mais formidáveis que uns sangrentos rios?