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1865–1927

O tio Antônio

Juvêncio de Araújo Figueredo

Muito velhinho, o tio Antônio já nem pode Caminhar como há três anos, pelo caminho... Uma doença atroz, inclemente, lhe acode À perna esquerda e ao braço. Ai! pobre do velhinho!

Mas, quando a tarde é calma, uma idéia o sacode, Dá-lhe o rubro vigor de uma taça de vinho. E ele, então, pachorrento, a rir, repete: “Amode Que estou melhor”. E desce à praia, num carrinho.

Mas o que vai fazer, na praia? Quem soubesse! Ora, imaginem só! Logo que a tarde desce, O tio Antônio vai rezar as ladainhas Que jamais esqueceu, em sua mocidade,

Quando, numa baleeira, à hora da Trindade, Saía para o mar, à pesca das tainhas...

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