Muito velhinho, o tio Antônio já nem pode
Caminhar como há três anos, pelo caminho...
Uma doença atroz, inclemente, lhe acode
À perna esquerda e ao braço. Ai! pobre do velhinho!
Mas, quando a tarde é calma, uma idéia o sacode,
Dá-lhe o rubro vigor de uma taça de vinho.
E ele, então, pachorrento, a rir, repete: “Amode
Que estou melhor”. E desce à praia, num carrinho.
Mas o que vai fazer, na praia? Quem soubesse!
Ora, imaginem só! Logo que a tarde desce,
O tio Antônio vai rezar as ladainhas
Que jamais esqueceu, em sua mocidade,
Quando, numa baleeira, à hora da Trindade,
Saía para o mar, à pesca das tainhas...