Deve ter asas negras, tenebrosas,
Esse nefasto e trágico morcego
Que, à noite, desce às almas criminosas
Que procuram nas trevas um sossego.
Visão, dentre as visões misteriosas,
Desce do mais indescritível pego,
Avassalando as ânsias silenciosas,
Roubando a tudo os mantos de aconchego.
Mas, mesmo assim, por toda a imensidade,
Quem ao remorso negará piedade;
Quem ao remorso negará o intento
De nos levar, na curva dos seus braços,
A alma plena de mísero cansaço,
A luz formosa do arrependimento?