Como está formoso, como está tão belo Esse céu da tarde, tinto de amarelo! Dir-se-ia todo pincelado a ouro, E a topázios quentes, do melhor tesouro...
E outras pedras há, nesse céu tão lindo, Que parece um templo que se vai abrindo... Refundem-se a prata e os cristais em rama, E uma nuvem branca transformou-se em chama.
Muitos os sardônios, muitos os berilos, Faiscando alguns, outros mais tranquilos. Turmalinas róseas, outras azuladas, Descem docemente das regiões veladas.
Ágatas sublimes, de um valor sem preço São, dos altos morros, todo o adereço. E os rubis sangrentos, — brasas que esfriaram — Como sobre as serras todos se alastraram!
Chocam-se no espaço de safira clara, Esmeraldas frescas, de um frescor de seara. Ametistas abrem mil visões nas fontes Cujo leito espelha toda a cor dos montes.
Orgias nervosas, de brilhantes raros, Gritam pelos campos cânticos bizarros. Muitas outras joias de variadas cores, Erram, nesta tarde, rebentando em flores.
Abrem-se damascos, e veludos, sedas, Por sobre as florestas cheias de alamedas. Abre-se nas ondas fluídica escumilha, E dela surge a nossa encantadora Ilha:
— Berço balouçando no frouxel das ondas Que lhe fazem, meigas, continuadas rondas; — Berço de alegrias feitas de esperanças, Onde dormem velhos, e onde sonham crianças;
— Berço de almos sonhos para as raparigas Que só dormem rindo, e a desfiar cantigas... — Berço para a alma dos febris rapazes, E para a alma casta dos pombos torquazes.
— Berço onde os meus olhos, quando se entreabriram Tantas coisas lindas e tão ricas viram. — Berço onde inda, agora, os meus tristes olhos Veem divinamente tudo sem abrolhos.
Nesse berço aberto às tardes de ouro fosco, É que a minh’alma, num recanto tosco, Muito quer me ver, mãos em cruz no peito, No momento extremo, quando, satisfeito,
De haver cumprido todo o bem no mundo, Eu cair num sono por demais profundo, E alcançar, Maria, nos teus lindos braços, O consolo eterno para os meus cansaços.
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