Para sempre feliz o homem que pensa
Achar abrigo na Mansão Etérea,
Na harmoniosa e viva luz intensa,
Afastada da terra deletéria.
Longe da negra, da pesada e densa
Nuvem de poeira, da fatal miséria,
Do alto dos altos torreões da Crença,
O homem sente um rio em cada artéria.
O homem que pensa nesse abrigo, embora
Passe a chorar desde o clarão da aurora
Ao entardecer; e à noite passe, aflito,
É o mais feliz de todos, porque sente
Deus a lhe dar a mão, doce e clemente,
Através das escadas do infinito.