Não te constranjas com pavor do inferno
Que dá ranger de dentes e convulsões,
Porque onde existirem corações,
Ele aí estará, quase que eterno.
Será fogueira equatorial, ou inverno;
Será gelos ocultos, ou clarões;
Será verdades, creias, ou ilusões;
Será remorsos, ou será falerno.
Ah! tudo isso será o inferno, tudo,
Enquanto houver um sentimento mudo
Dentro da alma da mísera criatura.
E nos seus tristes emparedamentos,
Os nossos sonhos e padecimentos,
Vivem numa só rua de amargura.