Na dor o coração se purifica,
Sacode a poeira negra da miséria;
E, igual a um astro misterioso, fica
Eternamente na região sidérea.
Transfigurado numa luz mais viva,
O coração, distante da matéria,
Só as purezas o sentido aplica;
E ondas de eflúvios sente em cada artéria.
Tanto assim é que, numa sepultura,
Fria, gelada, e silenciosa e escura,
Por mais que a gente busque um coração,
(Um coração que tantas dores teve)
Não pode, nem de leve... nem de leve,
Encontrá-lo, ainda, feito coração!