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1865–1927

O coração

Juvêncio de Araújo Figueredo

Na dor o coração se purifica, Sacode a poeira negra da miséria; E, igual a um astro misterioso, fica Eternamente na região sidérea.

Transfigurado numa luz mais viva, O coração, distante da matéria, Só as purezas o sentido aplica; E ondas de eflúvios sente em cada artéria.

Tanto assim é que, numa sepultura, Fria, gelada, e silenciosa e escura, Por mais que a gente busque um coração, (Um coração que tantas dores teve)

Não pode, nem de leve... nem de leve, Encontrá-lo, ainda, feito coração!

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O coração · Juvêncio de Araújo Figueredo · Poetry Cove