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1865–1927

O coração

Juvêncio de Araújo Figueredo

O pobre coração da humanidade canta E ao mesmo tempo chora. E, quando canta, diz: — Quem canta, neste mundo, os seus males espanta, Para bem parecer um coração feliz.

E, no anseio letal que, aos poucos, o alquebranta, O pobre coração ainda de novo diz: — Quem canta, neste mundo, os seus males espanta. Mas não há coração que não seja infeliz...

Prometeu da legenda, águias negras, em bando, Em derredor de si, vai sempre contemplando. E, muitas vezes, ri, para não soluçar... Mas, sem pausa, soluça, ao fundo de um segredo,

Como por sobre a praia, ou de encontro ao rochedo Soluça o coração tristíssimo do mar...

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