Tarde tradicional. A safira do espaço
Espelha-se no mar, nas ondas cor de chumbo
Que na encosta da pedra estouram, num retumbo
De pandeiros nas mãos nervosas de um palhaço.
E o sol se ostenta rubro, em rutilâncias de aço,
Ao fundo do horizonte azul, como um nelumbo.
Entretanto, no tédio, eu sinto que sucumbo...
E nem posso me erguer, nem levantar o braço.
É que eu vejo num campo em flor, em pleno maio.
Um soberbo animal, um bonito garraio,
Quase morto, de língua inchada de tormentos.
No suplício da vara, em meio de rapazes
Sem alma e coração, certamente incapazes
De serem, como os bois, tão bons e pachorrentos.