O amor, um dia, ao se encontrar com a morte
Teve o momento de lhe perguntar:
— O que fazeis, em rumo sul e norte,
Por esses campos e por sobre o mar?
E a morte respondeu-lhe, ereta e forte:
— Ando os corpos dos homens a ceifar.
Com esta ceifadeira de atroz corte,
Que friamente ceifa, sem cessar...
— E o que fazeis, amor? Dizei-me, agora.
Vós que nascestes ao nascer da aurora
Que os tesouros dos sóis enriqueceram?
E o amor lhe disse, abrindo-lhe o regaço!
— Levo no sonho, para o azul do espaço.
As almas que por mim na dor viveram.